Reflexões de uma mente

maio 26, 2008

Auto-destruição sentimental

Filed under: Sobre a mente — Bruna Chieco @ 11:38 am

Refletindo ultimamente percebi que o ser humano tem um certo prazer pela auto-destruição. Destruição da própria saúde, destruição financeira, destruição do ambiente (guerras, queimadas, desmatamento…). Porém, minha reflexão é sobre a destruição sentimental. Não porque não me preocupo com as outras, mas sim porque faço parte desse tipo de destruição e percebi isso tão recentemente.

Quando estamos perto de perceber que algo nos faz mal, ou já sabemos disso, porém nos deixamos enganar por pensar que somos fortes o suficiente para enfrentar isso, acabamos nos descobrindo fracos, ou até burros por não controlar nossas emoções, nosso impulsos. Pensamos: ‘como eu me deixei levar por isso? Eu sabia que ia me fazer mal e mesmo assim não fiz nada para imperdir’. Ora, as vezes estamos tão vulneráveis, que acabamos deixar as coisas passarem, e apenas percebemos depois como isso nos afeta. No entanto, me pergunto quando estaremos preparados para impedir que certas coisas nos afetem, imperdir essa vulnerabilidade sentimental e simplesmente dizer um grande NÃO pra certas coisas. Gostaria de ter essa resposta, aliás, gostaria de ter nascido sabendo ela.

Dizem que aprendemos certas coisas com o tempo, mas não acredito muito nisso. Se fosse assim não cometeríamos tantos erros que podem não ser iguais, mas são parecidos uns com os outros. O que o tempo resolve então? Um, dois anos de sofrimento por causa de algo ou alguém talvez não seja o suficiente para não sofrer de novo por algo igual ou parecido. Não controlamos o que sentimos, e por mais que nos tentemos nos bloquear de certo sentimento, uma hora ou outra nos entregamos, e ao se entregar, dificilmente controlamos as consequências de tudo. Ficamos cegos, surdos e mudos.

O pior é o arrependimento. Esse é um dos piores sentimentos e, na minha concepção, o mais auto-destrutivo, pois se estamos arrependidos de algo é porque nós mesmos causamos isso. Difcilmente sabemos na hora do impulso que aquilo nos trará esse sentimento intenso.

Por fim vem a parte do engano. É quando nos distraímos o tempo todo, fazemos de tudo para esquecer as besteira que nós mesmos fizemos ou as coisas ruins que nos acontecem, tentamos deixar passar e pensar nisso depois; porém, uma hora ou outra temos que enfrentar o sentimento, a situação, a humilhação, a dificuldade, e é nesse momento que temos que ser mais forte, pois tudo vem a tona, e se nos deixarmos mais uma vez vulneráveis, não conseguimos fazer mais nada. Parece exagero, porém ninguém consegue enganar o sentimento por muito tempo. De que adianta rir e pular o dia todo se na hora de dormir o que conseguimos fazer apenas é sentir o quente das lágrimas rolando no nosso rosto?

E sim, há aquela frase que gosto de dizer pra mim mesma: “o que não me mata me fará mais forte”. Estou apenas no aguardo então dessa força descomunal que ainda não chegou.

Essa é a minha reflexão. Auto-destrutiva.

Qual é a sua?!

 

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12 Comentários »

  1. nossa… seu blog é ótimo!!!
    adorei…
    encontrei pelo google…
    beijooo

    Comentário por Rosana — maio 26, 2008 @ 11:46 pm | Responder

  2. Arrependimento! putz.. concordo… eh o pior sentimento que existe… se arrepender de algo é até pior do que as pessoas te recriminarem por algo que vc fez, mas que vc sabe q faria de novo com prazer e sem problemas! Só que aí entra a questão de: até quando vale a pena a auto-destruição-sentimental?! esse fazer de novo e de novo e de novo… Vale até a hora que você aprende algo? Até a hora que vc quebra a cara e não tem mais concerto? ou não tem como aproveitar nada disso?!

    Se estamos vulneráveis aos nossos próprios impulsos… imagina quando nossos impulsos nos levam a depender da boa vontade dos outros… As pessoas são egoístas… se uma pessoa não gosta de vc a ponto de corresponder ao quanto vc sente por ela, ela não vai te descartar tão rápido… ela vai se aproveitar da sua vulnerabilidade pra aumentar o ego dela, e alguém vai fazer isso com ela depois tb e vc vai fazer isso com alguem, e a pessoa que ela fizer isso fará com outra pessoa, talvez você. Ou seja, ninguem está livre dessa situação.

    Quando se comete o mesmo erro por perdoar o erro dos outros que te fizeram mal, mostra que vc não aprendeu absolutamente nada, pq precisa passar por isso de novo… talvez um auto-conhecimento… até onde vc consegue aguentar? até que ponto a sua dependência ao outro vai? o quão independente você é? você aprende a ser independente dos outros depois que passa por isso… ou não. Talvez o ser-humano precise disso… do inconstante, do incerto, do caminho mais difícil… pq eh assim que nós somos… inconstantes, incertos e difíceis de compreender!

    É interessante o fato de pensarmos que somos “fortes o suficiente para enfrentar isso”… não seria o contrário? nós somos fracos demais pra conseguir nos livrar do que nos faz mal… se bem que o que nos faz mal nos desafia… nos faz pensar q somos mais fortes do que somos, pra depois que passarem a perna, nos sentirmos um nada… mas, pra depois voltarmos mais fortes ainda do que éramos e enfrentar outro mal à nossa altura. Talvez seja aquela história de ressurgir das cinzas.. a gente sempre se renova… mesmo que por pouco tempo, o que mostra que somos fortes, e, ao mesmo tempo fracos.

    Não só no amor… talvez bebidas e drogas, que alteram tudo que diz respeito aos nossos sentimentos, mostram isso. esse fazer-de-novo mesmo depois de entrar em coma alcoolico, o não tô nem aí pra quase-overdose da semana passada… a diferença é que o estrago é muito maior e pode não ter volta… mas eh isso, o amor eh viciante… a carne eh fraca e viva os dias em que conseguirmos dizer NAO às coisas que fazem mal. eu já consegui uma vez, mas aí já é outra história.. huahausha

    vamos marcar um bar pra pôr a conversa em dia! beijos!

    Comentário por nágila — junho 1, 2008 @ 1:06 am | Responder

  3. Acho que independetemente de os erros serem parecidos, as pessoas com certeza são diferentes. Por isso nos deixamos cometer os “mesmos” erros, por confiar no novo, por nao saber que as vezes a pessoa pode nos magoar do msm jeito que ja fomos magoados. Mas tenho que falar que realmente é o tempo que pode curar isso. Quando alcançamos o limite do absurdo, qdo ja ultrapassamos todas as fases da decepção, negação, sofrimento. Só posso dizer que pelo menos pra mim foi assim que aconteceu. E qto a cometer os mesmos erros, bom se nao errarmos nao saberemos acertar…. A vida é cheia de possibilidades, seria desperdicio nao experimentar todas.

    Comentário por Larissa — junho 11, 2008 @ 11:48 am | Responder

  4. E gente…dá até um frio na barriga sabe…
    As vezes a gente pensa que estamos próximos do fim de sofrer, ai quando damos conta estamos ainda sofrendo…é como se o sofrimento fosse um anestésico.
    Eu estou passando por isso sim, mas não será “nele” que vou encontrar a solução e sim em mim mesma.
    Me desejam boa sorte rs, a caminhada vai ser longa…

    Comentário por Erica — janeiro 12, 2009 @ 8:15 pm | Responder

  5. Arrepender-se é deixar de fazer algo errado e substituí-la por uma correta. Se descontaminar de algo que te fez mal através do arrependimento profundo. Huminlhando-se e pedindo perdão. Assim estaremos seguindo o caminho correto para uma vida melhor. Reconhecer o erro é algo que uma pessoa deve se orgulhar e não se menosprezar. Somente os fortes o fazem. Por isso é importante reconhecer o erro e ir em busca da solução dos problemas. Substituindo a ação errada pela correta. Isso é arrepender-se.

    Comentário por Moisés — março 23, 2009 @ 12:43 am | Responder

  6. olha desculpe mais acho que não é bem assim não!!!
    podemos sim nos controlar!!
    pois isso ocorreu comigo e consegui me controlar
    a realidade é que temos medo de decepcionar as pessoas ou
    de dizer um não quando elas esperavam um sim!!!!!
    claro que temos que pensar nas pessoas e não somente em nós, mas
    a nossa vida é mais importante do que a vida do outro!
    por isso quando acontecer algo pense primeiro em você,
    e depois nas outras pessoas, se o que acontecerá será bom pra você, então diga
    SIM e se não for diga NÃO!!!!!!!!!! PENSE EM VOCÊ MESMO E DEPOIS NOS OUTROS!!!

    Comentário por karine — junho 13, 2009 @ 4:27 pm | Responder

  7. Não estou em casa mais não tenho como deixar de comentar.
    Minha destruição parte de mim mesmo.

    Comentário por josandra — novembro 27, 2010 @ 7:12 pm | Responder

  8. Oi, tenho um blog como o seu…. ia postar algo sobre a nossa grande capacidade de criar o próprio sofrimento. Buscava uma imagem e achei seu blog, mais especificqamente seu post “Auto-destruição sentimental” .
    Voc~e não acreditaria se eu lhe disser que parece que ditei a você o que veio na minha mente, pois por incrível que pareça, você e eu usamos as mesmas palavras.
    Devido a gigantestca semelhança de ideias, não escreverei , vou copiar o seu e colar, lhe dando os créditos obviamente.
    Estou chocado com tanta semelhança.
    visite-me : http://anonimasreflexoes.blogspot.com/

    Comentário por Luiz — fevereiro 12, 2011 @ 12:17 am | Responder

  9. Borderline . In the end

    Comentário por ricardo silva — janeiro 1, 2012 @ 7:40 pm | Responder

    • Ricardo, infelizmente a destruição sentimental não é um privilégio só seu ou de um pequeno grupo. Somos solidários neste tipo de destruição(…) Minha interrogação é o porque valorizar mais a destruição sentimentação do que a construção de relações sentimentais baseadas em solidez e transparência.
      Nossa incampacidade de perceber a diferença entre o que é bom e o que não é um dos segredos…………

      Comentário por Luiz Marcos Franco — janeiro 4, 2012 @ 7:25 am | Responder

      • Verdade…

        Comentário por Aline — agosto 9, 2012 @ 4:38 pm

  10. Achei interessante seu post, e me veio a indagação: E quando tudo o que se sabe fazer é dizer não? A vida é tão misteriosa que até evitando o sofrimento se sofre. Não adianta correr! Estamos cercados. O segredo é viver sabendo que a decepção é inevitável. Se ela não vem porque vc fez algo, ela vem porque vc deixou de fazer. É simples. Não existe nada de misterioso, nem acaso. Não existe milagres nisso. A grande diferença entre os assumidamentes infelizes dos aparentemente felizes é que estes conseguem ignorar alguns sentimentos (tipo: medo) que aqueles não os deixa ir (entendeu?).
    A paciencia consigo msm é uma dádiva nas grandes dúvidas. Abranda a ansiedade. Afinal, para quê tanta ansiedade se o final é morte? E essa é muito mais misteriosa do que a vida. Porque vivemos para saber que não é fácil, e a morte? Quem já voltou de lá par falar como que é? Ela existe, mas não há provas concretas do outro lado… apenas suposições.

    Comentário por Aline — agosto 9, 2012 @ 4:36 pm | Responder


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